“A frase, entre parênteses, do título desse texto é um fragmento da música Supra-sumo do Mal, de autoria de meu amigo Haroldo Theodoro e representa exatamente o que eu pensei ao descobrir o que realmente aconteceu, para que comemoremos esse dia, que muito serve como um feriadão, mas como data festiva... Deixa pra lá. Aliás, gostaria de agradecer ao meu sobrinho Yann Luiz, 20 anos, Professor de História, formado pela Universidade Gama Filho, que me revelou os reais acontecimentos desse dia e eu não tive como não contá-los a vocês.”
Bjos nas crianças e boa leitura.
Quem ouviu D. Pedro I gritar “independência ou morte” às margens do rio Ipiranga? Quem acredita que a cena retratada no quadro de Pedro Américo, Independência ou Morte, exposto no Museu do Ipiranga, realmente aconteceu do jeito que ele pintou?
Vamos desmistificar essa história, pois ela está muito mal contada. Primeiro de tudo, D. Pedro estava somente lendo as cartas que recebera da côrte portuguesa, às margens do riacho Ipiranga, que dizia que ele devia voltar para Portugal. Por causa disso ele decidiu proclamar a independência, contudo não havia a todo àquele povo, conforme mostra o quadro, que somente foi pintado 63 anos depois do tal ocorrido em 1822.
Pedro Américo decidiu pintar esse monstro de tela (4,15m de altura por 7,60m de comprimento), mostrando um valente D. Pedro I, erguendo sua espada no ar, às margens do riacho Ipiranga, acompanhado por uma tropa de alazões e oficiais bem alinhados, ao assumir que o quadro seria reflexo de uma necessidade do século. Ops, acho que perdi algo ou não entendi o que esse digníssimo estava querendo dizer.
Beleza Pedrinho, pois como arte o quadro é realmente lindo, mas como fato histórico é total ficção. E ele ainda dizia que era preciso conter a voracidade do tempo e tornar imortal algo que as gerações atuais não viram. Na boa, melhor ser cego que ver algo irreal, algo que não aconteceu.
Bom, se você acredita realmente que essa atitude altruísta, que D. Pedro I tomou foi realmente por causa do povo brasileiro, você é muito romântico, para não dizer outra coisa. Se bem que os livros de história do ensino fundamental relatam esse motivo: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, EU digo que fico!” Ah, tá bom. Vamos aos reais motivos, em tópicos, para ninguém se perder nessa história “sórdida”:
. Primeiro, ele decidiu ficar bem menos pelo povo e bem mais pela aristocracia, que o apoiaria como imperador em troca da futura independência não alterar a realidade sócio-econômica colonial.
. A idéia de Império já era trabalhada há 14 anos com a abertura dos portos, portanto a tal independência somente representou a consolidação de uma ruptura política, que já estava prevista para acontecer, mas a ruptura com o sistema colonial não sofreu nenhuma alteração, visto que as bases sócio/econômicas (trabalho escravo, monocultura e latifúndio), que representavam a manutenção dos privilégios aristocráticos, permaneceram inalteradas.
. A tão famosa expressão “independência ou morte”, que marca esse dia “tão importante” (até parece que alguém dá importância a isso), não foi falada e sim escrita numa carta que D. Pedro I redigiu em resposta a côrte, no dia 8 de setembro, da seguinte forma:
- “Prezados paulistas, independência ou morte é o nosso lema, mas estamos longe de conquistá-lo. Espero vosso apoio e vossa lealdade”, diz o texto.
Agora o que eu não entendo é por que 7 de setembro se a proclamação da república somente se consolidou em 1º de dezembro de 1822? Na verdade, em 14 de setembro, ao chegar ao Rio de Janeiro, o povo aclamou-o como Imperador, mas o que vale é o papel assinado. Aceite e se conforme, pois é quase tudo mentiraaaaaaa!!!

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